Saudações Biomédicas!
É com muito prazer que venho aqui dizer que voltarei com as postagens do blog. Semestre passado estava um pouco puxado, com todas as provas da faculdade, mas agora pretendo postar pelo menos uma vez por semana, uma vez que meu interesse por essa doença auto-imune não diminuiu nem um pouco!!!
Então vamos ao que interessa, certo?
Você provavelmente deve estar se perguntando quem é a cientista da foto. Ela provavelmente é a pessoa mais próxima da cura para o diabetes tipo 1 da atualidade. Isso mesmo! Seu nome é Denise Faustman e ela trabalha no laboratório de Imunologia do Massachusetts General Hospital (para visitar o site em inglês, clique aqui).
Para entender um pouco mais sobre a sua pesquisa, é preciso entender uma coisa da pesquisa científica em geral: geralmente ela se inicia com camundongos (aqueles branquinhos com os olhos vermelhos). Quando os resultados com os animaizinhos são satisfatórios, a pesquisa segue então para a fase clínica, que é dividida em 4 fases.
Na fase I, há uma avaliação inicial em humanos (de 20 a 100 indivíduos, geralmente) onde os pesquisadores irão tentar estabelecer uma evolução preliminar de segurança e do perfil farmacocinético (o que o corpo faz com a droga ingerida) e quando possível, um perfil farmacodinâmico (o que a droga faz com o corpo).
Na fase II, há os primeiros estudos controlados com pacientes, para demonstrar a efetividade da droga a ser administrada (100-200 indivíduos). Além disso, tal estágio serve para confirmar a segurança do medicamento.
A fase III é marcada por estudos internacionais, de larga escala, em múltiplos centros, com diferentes populações de pacientes para demonstrar a eficácia e segurança (população mínima aprox. 800)
E por fim, existe a fase IV, que caracteriza-se por pesquisas feitas após a liberação do medicamento para o mercado (quando um medicamento é recolhido do mercado, isso significa que ele não passou da fase IV do estudo clínico).
Referências sobre o estudo clínico: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
Agora qual é a realidade sobre a pesquisa científica para a cura do diabetes tipo 1? Pelo menos nas buscas que eu realizei em websites de estudos clínicos internacionais, a maioria dos estudos estão relacionados com prevenção do DM1 (diabetes mellitus tipo 1), diminuição das complicações, reversão da doença em pacientes recém-diagnosticados (como é o caso da pesquisa do Dr. Voltarelli) e transplantes (ilhotas, pâncreas). Porém, nada específico com relação a reversão ou cura definitiva da doença até conhecer a pesquisa brilhante da Dra. Faustman, que demonstra que é possível além de acabar com a auto-imunidade (células de defesa atacando o próprio organismo), fazer com que haja a regeneração das células produtoras de insulina (células - beta). Fantástico, não?
Sua pesquisa se baseia na administração de uma proteína do corpo chamada tumor necrosis factor (TNF), que parece estar em falta no corpo de pacientes com DM1. O mais incrível de tudo é que tal droga, ao contrário das outras disponíveis no mercado para pacientes com doenças auto-imunes, consegue destruir apenas as células que atacam o próprio organismo, deixando as outras células de defesa (normais; não auto-reativas) intactas!!! Em outras palavras, é uma imunossupressão altamente específica!
Atualmente a pesquisa está no finalzinho da fase I do estudo clínico, portanto, vamos esperar que tal droga realmente se torne segura e mais importante, eficaz. Para os acadêmicos que assim como eu, se interessam pelo assunto, estou deixando aqui o link para o artigo científico que explica precisamente como TNF (que normalmente é pró-inflamatório) está sendo usado para reverter o diabetes tipo 1. Realmente brilhante o trabalho da Dra. Faustman.
Espero que tenham gostado!
Saudações Biomédicas
Jornada Diabética está de volta!
Postado por Frederico Ribeiro on segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Marcadores: cura diabetes, denise faustman, Massachusetts General Hospital, tnf
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1 comentários:
sou diabético, e gostei muito do q li, já sofro a 10 anos. uma pergunta o transplante de pâncreas não seria a cura para o diabetes, uma vez q a doença se dá pelo fato de o pâncreas parar de produzir in sulina, ou as células embrionárias q são capazes de criar um orgão novo?
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