Vamos falar sobre o transplante de ilhotas!
Pra começar, vou colocar um trecho de um livro que explica um pouco sobre os transplantes das ilhotas pancreáticas:
" O uso recente de enxertos das ilhotas pancreáticas e novas combinações de agentes imunosupressores no diabete tipo 1 mostra-se promissor, e os estudos multicentrais estão em andamento. No entanto, essa abordagem altamente evidente apresenta significativos obstáculos a serem superados antes da aplicação clínica bem-sucedida. O grande obstáculo é a falta de doadores de ilhotas pancreáticas em número suficiente para satisfazer as necessidades de um transplante bem-sucedido de ilhotas. As células-tronco pluripotenciais e as linhas de células somáticas geneticamente desenvolvidas podem ser uma fonte de células, e podem produzir transplantes bem-sucedidos sem a necessidade da supressão imunológica por toda a vida, para evitar a rejeição e a destruição auto-imune das células transplantadas."
Trecho extraído do livro "Diabete Melito: Manual de cuidados essenciais" p. 517
Bom, como vocês podem perceber, o transplante de ilhotas é uma alternativa extremamente interessante para a terapia do diabetes, especialmente pelo fato de não ser tão invasivo quanto outros procedimentos (exemplo: transplante de pâncreas). O grande problema do transplante de ilhotas é que ele ainda não deve ser encarado como um modo seguro de atingir a insulino-independência, porque após cinco anos de seguimento, apenas uma pequena parcela dos pacientes se mantém livre de insulina, embora a maioria se beneficie do desaparecimento da instabilidade glicêmica. (arq bras endocrinol metab 2008;52/2)
Apesar da decepção a longo prazo no transplante de ilhotas, é importante entender que tal método é relativamente novo. Assim como tudo na nossa vida funciona melhor quando se tem um planejamento e regras, o mesmo funciona para a pesquisa científica. Um procedimento bom e eficaz na área médica deve ser associado a um protocolo. Um protocolo nada mais é do que um conjunto de regras pré-estabelecidas para se realizar um procedimento; é como se fosse uma receita de um bolo; ou um manual...
E o protocolo desenvolvido para o transplante de ilhotas é extremamente atual. Ele foi desenvolvido no Canadá, no ano de 2000 e recebeu o nome de Edmonton Protocol ou Protocolo Edmonton. Portanto, ainda existem muitas alterações a serem feitas nesse "manual" até que se consiga a "receita de bolo perfeita", em outras palavras, transplante de ilhotas com sucesso a curto, médio e longo prazo!
Outro grande problema do transplante de ilhotas reside no fato de que após o transplante, o paciente deve se submeter à imunosupressão pelo resto da vida, ou seja, iria substituir as agulhadas de insulina por remédios de imunosupressão que deixam o nosso sistema imune mais vulnerável a doenças. É por isso que, como dito no trecho extraído do livro, as células-tronco pluripotenciais podem ser uma fonte de células de um transplante bem-sucedido e sem a necessidade da imunosupressão, uma vez que, como as células serão do próprio organismo, nosso sistema imunológico não irá atacá-las.
Espero que tenham gostado do post! Por fim, gostaria de deixar dois links do grupo de pesquisa que tem o transplante de ilhotas pancreáticas como linha de pesquisa:
NUCEL - Núcleo de Terapia Celular e Molecular (Grupo de Pesquisa)
NUCEL - Núcleo de Terapia Celular e Molecular (Website)
Abraços e Saudações Biomédicas!
Marcadores: Diabetes Melito, Diabetes Tipo 1, Ilhotas, NUCEL, Transplante de Ilhotas
Assinar:
Postar comentários (Atom)



0 comentários:
Postar um comentário