Vim aqui falar um pouquinho sobre o tratamento com células-tronco para o diabetes tipo 1. Bom, usarei como referência nada mais nada menos do que o próprio artigo publicado pelo nosso compatriota, o Dr. Júlio C. Voltarelli (para ver o currículo do Dr. Voltarelli clique aqui), cujo título é: "Transplante de células-tronco hematopoéticas no diabete melito do tipo I".
Comecemos com uma introdução aos transplantes utilizando células-tronco hematopoiéticas:
" Transplantes autólogos de células-tronco hematopoéticas (TACTH) para doenças auto-imunes (DAÍ) graves e refratárias à terapia convencional têm sido realizados desde 1996, principalmente dirigidos a doenças reumáticas e neurológicas, com resultados encorajadores. De modo geral, dois terços dos pacientes alcançam remissão duradoura da doença auto-imune, embora a morbimortalidade relacionada ao transplante ou à recidiva e progressão da DAI ainda constituam problemas significativos. Baseados nesses resultados e no efeito benéfico da imunossupressão moderada na evolução do diabete melito do tipo I (DM-I), iniciamos, em dezembro de 2003, um protocolo clínico de TACTH para esta doença, em cooperação com a Universidade Northwestern de Chicago, da Universidade de Miami e do National Institutes of Health."
Um protocolo brasileiro? Gente, escutar isso melhora o ânimo de qualquer um, fala sério! Enfim, vale destacar que o protocolo criado cita que foram utilizadas apenas pessoas com menos de 35 anos, dignosticadas há menos de 6 semanas ou na fase assintomática da doença ("lua de mel") no tratamento. Para você que não se encaixa no perfil exigido, não fique desanimado(a). Lembre-se do que eu havia comentado no tópico sobre Transplante de Ilhotas. Quando um protocolo é novo, significa que ele ainda precisa de várias alterações até que se torne um "manual perfeito"... E o protocolo brasileiro foi iniciado apenas em 2003!
Mas continuemos com o artigo:
"No diabete melito do tipo I (DM-1), as células beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas são destruídas por linfócitos T auto-reativos, causando deficiência na produção de insulina, que se manifesta predominantemente em crianças e adultos jovens (70% antes dos 35 anos), causando grande morbidade e mortalidade. Um estudo recente da OMS revelou que, em 2000, o diabete causou 154. 308 mortes e custou 6,7 bilhões de dólares em cuidados médicos e 37,7 bilhões em custos indiretos aos países da América do Sul (3,9 e 18,6 bilhões para o Brasil, respectivamente)."
Bom, nesse parágrafo ele faz uma breve introdução da doença. Resolvi colocá-lo apenas para tentar explicar o que significa o termo "auto-imunidade" que você encontra bastante aqui neste blog. Como dito, "as células beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas são destruídas por linfócitos T auto-reativos" o que caracteriza a AUTO-imunidade, ou seja, suas próprias células de defesa "confundem" suas células-beta com patógenos e acabam destruindo-as.
Agora falando um pouquinho mais sobre o protocolo. Segue um parágrafo mais científico, que explica como é feito todo o procedimento:
"O protocolo inclui pacientes com idade inferior a 35 anos que tenham sido diagnosticados com DM-1 há menos de seis semanas ou estejam na fase assintomática da doença (fase de “lua de mel”). Os pacientes são mobilizados com ciclofosfamida (2 g/m2) e G-CSF (10 ug/kg/d) e condicionados com ciclofosfamida (200 mg/kg) e ATG de coelho (4,5 mg/kg). O protocolo foi iniciado em dezembro/ 2003, com o transplante do primeiro paciente de 24 anos de idade, que teve alta no D+11, sem complicações, e prevê o acompanhamento de um grupo de 24 pacientes (12 transplantados e 12 controles) por um período de cinco anos, monitorizando-se as características clínico-laboratoriais associadas ao diabete (necessidades diárias de insulina, concentração da hemoglobina glicosilada e do peptídio-C da insulina) e a reatividade imunológica humoral e celular contra as células beta das ilhotas pancreáticas. Se os resultados dessa primeira fase forem favoráveis, será proposto um protocolo randomizado de fase III comparando o transplante com a insulinoterapia intensiva."
Só para deixar claro, quando ele diz que haverá o monitoramento de 12 pacientes transplantados e 12 "controles", esse grupo controle nada mais é do que 12 pessoas não transplantadas, com diabetes. É bastante comum, se não, obrigatório, a presença de um grupo controle, ou seja "normal", em qualquer pesquisa científica para poder servir de parâmetro. Só assim o pesquisador pode chegar à conclusão de que seu procedimento funciona ou não.
Por fim, gostaria de deixar o link para a entrevista que a Folha de São Paulo fez com o Dr. Voltarelli, porque quem melhor para resumir o protocolo do que o próprio autor, certo?
Entrevista com o Dr. Júlio Voltarelli
Link para o grupo de pesquisa do Dr. Voltarelli aqui
Espero que tenham gostado do post!
Saudações Biomédicas!
Marcadores: Celulas-Tronco, Diabetes Tipo 1, Voltarelli
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